quinta-feira, janeiro 19, 2006

Finalmente as Fotos de Loures




Pois é... Até que enfim consigo afixar as fotos do Workshop de Loures!!!!

Foi um sucesso, pode-se ver pelas fotos! Bebés e mamãs felizes:)

Infelizmente esqueci-me de duas coisas importantes... Tirar uma foto de grupo (imperdoável)
Tirar uma foto com a Sofia Valente (imperdoável:( )

Sofia V. Muito obrigada pela hospitalidade! O Clube agradece!!!
A todos os participantes também o meu muito obrigada! Foram excepcionais!

segunda-feira, janeiro 16, 2006

O BEBÊ CHORA: COMO OS PAIS DEVEM REAGIR?

Por Jan Hunt, Psicóloga Diretora do "The Natural Child Project"

Imagine por um instante que você foi levado por uma nave espacial a um planeta distante, onde está cercado de gigantes estranhos cuja língua você não entende. Dois desses estranhos decidem cuidar de você. Você é totalmente dependente deles para a satisfação de todas as suas necessidades - fome, sede, conforto e - principalmente - para assegurá-lo de que não corre perigo nesse lugar estranho. Imagine então que alguma coisa vai mal - você está com dor, ou com muita sede ou precisando de afeto. Mas os responsáveis ignoram seus gritos de desespero e você não consegue fazê-los compreender de quê você precisa. Agora você tem um problema a mais, pior que o primeiro: sente-se totalmente desamparado e sozinho num mundo estranho.
Com toda a inocência, o bebê parte do pressuposto de que nós, seus pais, estamos certos - e que fazemos tudo o que deveríamos fazer. Se não fizermos nada, o bebê só pode concluir que não é amado porquê não merece nosso amor. Ele não é capaz de entender que nós estamos ocupados, distraídos, preocupados, mal orientados por "especialistas", ou que simplesmente somos pais inexperientes. Não importa o quanto amamos nosso bebê, o que ele entende são as manifestações externas desse amor.
Ninguém gosta que sua comunicação seja ignorada. Ser ignorado desperta sentimentos de desamparo e raiva que inevitavelmente prejudicam o relacionamento. Todos os adultos sentem isso e não há porquê imaginar que seja diferente combebês e crianças. Pouca gente ignoraria um adulto que repetisse: "Você poderia me ajudar? Não estou me sentindo bem." Ignorar esse pedido seria considerado bem pouco gentil. Mas um bebê não pode falar assim; ele só pode chorar e chorar até que alguém o atenda - ou até desistir, desesperado.
A reação imediata ao choro de uma criança não foi questionada durante milênios, até nossos dias. Em nossa cultura, assumimos que o choro do bebê é normal e inevitável. Mas em sociedades naturais onde os bebês são carregados junto aos adultos na maior parte do dia e da noite durante seus primeiros meses de vida, o choro é incomum. Ao contrário do que se acredita em nossa sociedade, bebês tratados assim tornam-se auto-suficientes mais cedo do que os bebês que não recebem esses cuidados.
Na verdade as pesquisas sobre as primeiras experiências da infância mostram que as crianças que receberam cuidados mais amorosos nos primeiros anos de vida tornam-se adultos mais amorosos e confiantes. Os bebês obrigados a ser submissos desenvolverm ressentimentos e raiva que podem ser manifestados de forma nociva mais tarde.
Apesar dessas pesquisas, a maioria dos argumentos para se ignorar o choro se baseiam no receio de "estragar com mimos" o bebê. Um livro clássico de cuidados ao bebê adverte os pais a "deixar o bebê lidar com seu problema". Embora a primeira infância seja uma época de desafios para os pais, um bebê é muito novo e inexperiente para "lidar" com a causa de seu choro, seja ela qual for. Ele não pode se alimentar, trocar de roupa ou se confortar do modo que a natureza pede. É evidente que é responsabilidade dos pais preencher as necessidades de alimento, segurança e amor do bebê, e não responsabilidade do bebê preencher as necessidades de paz e sossego dos pais.
A publicação insinua que se os pais derem ao bebê a oportunidade de ser auto-confiante, estão contribuindo para seu amadurecimento. Mas um bebê simplesmente não é capaz dessa maturidade. A maturidade verdadeira reflete uma base sólida de segurança emocional que só pode se desenvolver com amor e apoio dos adultos próximos, nos primeiros anos de vida.
Uma pessoa imatura só pode reagir ao estresse de modo imaturo. Um bebê a quem se nega seu direito nato de ser reconfortado pelos pais pode se voltar para o recurso ineficaz da auto-estimulação ( bater a cabeça, embalar-se de um lado para o outro, chupar o dedo, etc) e o distanciamento emocional das pessoas. Se suas necessidades forem sempre ignoradas, ele pode decidir que a solidão e o desespero são preferíveis a arriscar-se a sofrer mais frustração e rejeição. Infelizmente, uma vez que ele toma essa decisão ela pode se tornar uma visão definitiva da vida, que leva a uma vida emocional muito pobre.
Muitos profissionais que lidam com crianças percebem que o incentivo dos pais à auto-satisfação, além da substituição abusiva por objetos materiais - ursinhos que substituem os pais, carrinhos em vez de braços, grades em vez de dormir junto, chupetas em vez de mamar no peito, brinquedos em vez de atenção, caixinhas de música em lugar de vozes, leite em pó em vez de leite materno, cadeira de balanço em lugar do colo - determinaram uma época de consumismo, isolamento pessoal e insatisfação emocional.
Ignorar o choro de uma criança é como usar protetor de ouvidos para evitar o ruído desagradável de um detetor de incêndio. O som de um detetor de incêndio serve para nos alertar sobre um assunto sério que exige uma atitude - o mesmo acontece com o choro do bebê. Como Jean Liedloff escreveu em 'The Continuum Concept', "o choro do bebê é um problema tão sério quanto o seu ruído sugere".
Por mais estressante que seja, o choro da criança não deve ser visto como uma medição de forças entre o pai ou a mãe e o filho, mas como um presente da natureza para assegurar que todos os bebês cresçam com uma capacidade generosa de amor e confiança.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Novas cores de panos



Pois aqui estão as novas cores dos panos que agora inclui um azul liso para os que não gostam de riscas....

Navy, Natura, Laguna, Lolipop e Paradiso!!!!


Preço 65€ + portes 5€

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Estímulos saudáveis no dia a dia!

O seu bebé ganha uma visão diferente do mundo quando é carregado ao colo. Pense nas muitas lições que o bebé está a absorver enquanto observa a sua rotina do dia-a-dia e as suas interacções. O bebé sente-se seguro ao seu lado e sente que tem uma participação activa na sua vida; pode gozar a sua janela para o mundo, livre de preocupações e stress. Este é o treino perfeito para a mente do seu filho.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Novos sacos de sementes



Os novos padrões mais suaves dos sacos de sementes com cheiro a alfazema... óptimos para as cólicas dos bebés e para aqueçer as caminhas nas noites frias....

10€ mais despesas de envio 2€

quinta-feira, dezembro 22, 2005

sexta-feira, dezembro 16, 2005

O QUE É PARENTAGEM DE APEGO?

Por Jan Hunt, Psicóloga Directora do "The Natural Child Project"

Parentagem de apego, em termos simples, é confiar no que diz o nosso coração. E se fizermos isso vamos descobrir que confiamos na criança. Confiamos nela da seguinte forma:
1. Confiamos que ela está a fazer o melhor que pode, considerando-se toda a experiência que já teve até aquele momento.
2. Confiamos que embora ela seja pequena em tamanho, ela é um ser humano tão completo quanto nós e merecedora como nós que as suas necessidades sejam levadas a sério.
3. Confiamos que ela nasceu inocente, amorosa e confiante. Não precisamos "moldar sua personalidade", ensinar que a vida é dura ou treiná-la para ser uma pessoa amorosa - ela já nasceu assim e só precisamos celebrar, apoiar e nutrir essa disposição.
4. Não temos que lhe dar lições de vida - a vida fornece suas próprias lições e frustrações.
5. Reconhecemos que - se soubermos escutar - nosso filho nos ensina de um modo muito bonito o quê é o amor (1).
6. Compreendemos que se a criança for "mal-comportada", em vez de reagir, devemos sempre investigar o que está a acontecer na sua vida: que problemas, frustrações ou sustos, confusões ou situações difíceis ela enfrentou recentemente. Também precisamos investigar se não fomos nós que, intencionalmente ou não, provocamos essa situação. É nossa tarefa sermos pais sensíveis e satisfazermos as necessidades de nossos filhos; não é tarefa dos filhos satisfazer a nossa necessidade de crianças quietinhas e perfeitamente bem-comportadas.
7. Compreendemos que é injusto e irreal esperar que uma criança tenha um comportamento exemplar sempre; afinal, os adultos também não conseguem fazer isso. Mas por trás de todo o castigo está implícita a expectativa de que a criança pode e deve comportar-se exemplarmente o tempo todo; não há liberdade de acção.
8. Percebemos que o assim chamado "mau comportamento", nada mais é do que a tentativa de uma criança comunicar necessidades importantes da melhor forma que pode, em vista das circunstâncias e de sua experiência anterior. "Mau comportamento" é um sinal de que necessidades importantes foram negligenciadas - por nós ou por outras pessoas na vida da criança. Não devemos ignorar esse comportamento assim como não devemos ignorar um alarme de incêndio. Devemos ver o "mau comportamento" como uma oportunidade de reavaliar as nossas próprias atitudes, de entender as necessidades de nossos filhos e de satisfazer essas necessidades da melhor forma possível.
Como Albert Einstein escreveu: "por trás de cada dificuldade há uma oportunidade". Isso aplica-se a qualquer situação, mas é ainda mais verdadeiro na relação entre pais e filhos. Por exemplo, se uma criança atira uma bola no meio da rua, essa é uma oportunidade de lhe ensinar medidas de segurança, treinando-a para situações semelhantes no futuro. O pai poderia pedir ao filho que jogasse a bola na rua de propósito e viesse chamá-lo para contar o que aconteceu. Desse modo ele aprenderia uma lição verdadeira: é o pai quem precisa passar mais tempo ensinando segurança e não a criança quem deve de algum modo saber o quê fazer, quando é evidente que não sabe. O castigo é a reacção mais nociva: é injusto, desconcertante, confunde e distrai a criança do aprendizado necessário. Em vez disso deveríamos ensinar a criança na hora, com delicadeza e respeito. Esse é o melhor modo de ensinar.
A parentagem de apego permite que a criança aprenda a confiar em si mesma, compreender a si mesma e tornar-se capaz de aproveitar o tempo de sua vida adulta com criatividade e sentido, em vez de gastar seu tempo lidando com as feridas da infância de um modo que possa prejudicar a si mesma ou aos outros. Um adulto que não precise resolver seu passado pode viver plenamente o presente.
Lembrando a Regra de Ouro, parentagem de apego é criar um filho do modo como gostaríamos de ter sido tratados na infância, do modo como gostaríamos que todos nos tratassem hoje e como queremos que nossos netos venham a ser tratados. Com a parentagem de apego, estamos a dar um exemplo de amor e confiança.
Nossos filhos merecem aprender o que é a compaixão e aprendem isso principalmente pelo nosso exemplo. Se os nossos filhos não aprenderem connosco a ter compaixão, com quem vão aprender? O ponto de partida é que todas as crianças se comportam tão bem quanto são tratadas - por seus pais e por todas as pessoas em sua vida.
Elliot Barker é um psiquiatra canadense, director da Sociedade Canadense para a Prevenção da Crueldade contra as Crianças (Canadian Society for the Prevention of Cruelty for Children) . Ele define dois aspectos da parentagem de apego:
1. Querer e ser capaz de se colocar no lugar de seu filho para identificar correctamente os seus sentimentos.
2. Querer e ser capaz de tratar seu filho de um modo que leve esses sentimentos em conta.
Resumindo, parentagem de apego é amar e confiar em nossos filhos. Se formos capazes de fazer isso, eles serão capazes por sua vez de confiar em nós, confiar nos outros e ser pessoas confiáveis eles mesmos. O educador John Holt já disse que tudo o que ele escreveu pode ser resumido em poucas palavras: "confie nas crianças". Esse é o presente mais precioso que nós podemos dar a nossos filhos.
(1) Veja 'The Little Goo-Roo' de Jan e Tracy Kirschner ( Atlas Press, 1997).

segunda-feira, novembro 28, 2005

Workshop "Dar Colo"

Estão abertas as inscrições para Workshop do Clube do Pano a realizar no próximo dia 7 de Janeiro, pelas 14:30 (duas horas aproximadamente) na seguinte morada:

Rua de Santa Teresinha nº 12 - Lagariça – Loures

A formação inclui:

• Explicação sobre o pano em si – textura e cores, tecelagem
• Como surgiu,
• Os benefícios do seu uso,
• A importância do toque;
• Distribuição de fotocópias;
• Demonstração dos vários nós;
• Se concordarem, tirar foto de grupo das mães presentes;
• Conversa com Sofia Valente, que conviveu de perto com os benefícios do uso do pano em Moçambique;

Custo 10€ por participante

Inscrições prévias Zélia 918253141 ou Sofia 917308718


Certos de que os panos fazem bebés felizes,

Clube do Pano

sexta-feira, novembro 18, 2005

Mais fotos



Karla Cysne e Luis Rodrigues e o filhote Guilherme Rodrigues

quinta-feira, novembro 10, 2005

Convite


Rafael (8 meses)
Convidam-se todo(a)s os cangurus a mostrarem fotos suas com os seus filhotes no pano ou só dos filhotes num pano!!!

Enviem as vossas fotos para o clube com o respectivo nome e localidade para serem afixados no blog!

Um abraço
Zelia

segunda-feira, novembro 07, 2005

Workshop - As DOULAS na Humanização do Parto em Portugal

“Na sociedade contemporânea, em que o parto sofreu um processo de
industrialização, e foi reduzido em grande parte a um acto médico, urge
redescobrir a verdadeira natureza de dar à luz”

Carla Guiomar


Data e Horário: 20 de Novembro (Domingo), das 10h às 12.30 e das 14h às 17h.


Local: Lisboa, Delegação Regional do IPJ, Rua de Moscavide, Lote 47101, Lisboa, Expo.


Temas:

O que é um parto humanizado

A necessidade urgente de humanização do parto em Portugal

As doulas: benefícios e vantagens

O corpo da mulher como máquina e como objecto

O parto fisiológico

As necessidades básicas da mulher em trabalho de parto

Controvérsias hospitalares



Destinatários:

Profissionais de saúde, grávidas, público em geral.

Nº de participantes:

35 (Admissão por ordem de chegada da inscrição)

Formadora.

Doula Luísa Condeço, Co-Fundadora da Associação Doulas de Portugal

Preço de Inscrição

Até 11 Nov. 2005 – 50 euros
Até 17 Nov. 2005 – 70 euros

Transferência bancária para o NIB 0036 0308 99100002994 07

ou cheque à ordem de Maria Luísa Condeço

Contactos: 967624505 / 916826150

domingo, outubro 30, 2005

Frutos da Missão em Lichinga! (Cartas que nos ajudam a continuar)

Frutos da Missão em Lichinga!

Chamo-lhe assim… fruto da minha Missão em Lichinga!

Estava eu aqui… de blog em blog… a carregar em blogs de outros blogs… quando cliquei no Clube do Pano!

Fiquei com um sorriso gigante por ter descoberto alguém em Portugal que adora capulanas como eu!

Em Lichinga descobri esta paixão… as Capulanas!
A ternura, o afecto, o amor… que une as mães e os filhos com uma capulana… a cumplicidade… a afectividade que se cria… os miminhos que se trocam… a vivência do dia a dia… o cheiro… o tacto… o contacto… a cooperação… a alimentação… a chucha… a relação…

Foi esta ligação… esta forte e intensa ligação… que me apaixonou…

Como Educadora de Infância… muitas vezes insisto com os pais na importância do contacto físico, na importância da afectividade, da demonstração de carinho…do exagero de horas que os filhos passam em Creches e Jardins de Infância, com babysitters e amas… enfim… em Lichinga… é diferente… mães a tempo inteiro!

Mães que trabalham…
Mães que cultivam a terra…
Mães que cozinham…
Mães que lavam a roupa…
Mães que carregam madeira à cabeça…
Mães que carregam o filho na capulana… Sempre!
Mães… MÃES…

É desta ligação… deste laço… desta cultura… desta forma de ser… desta forma de estar na vida… que quero fazer parte…

Hoje sei que com a capulana… serei uma mãe diferente… certamente, mais próxima do meu filho! (ainda me faltam uns aninhos…)

E aqui, em Portugal… encontrei a Zélia!
A fundadora do Clube do Pano!

Hoje tenho um pano dela e ela uma capulana de Lichinga!

A vida é feita de coisas assim… que nos tornam felizes… que nos fazem crescer com os Outros… feita de trocas… feita de pessoas!

Sofia Valente

Nota do clube: Entre o Clube e a Sofia houve uma pequena troca de "panos/capulanas" que foram o começo de uma amizade que esperamos dar mais frutos... para que os panos cheguem a mais bebés:)

sábado, outubro 29, 2005

Formação em Loures


Estão abertas as inscrições para formação do pano a realizar no próximo dia 3 de Dezembro, pelas 14:30 na seguinte morada:

Rua de Santa Teresinha nº 12 - Lagariça – Loures


A formação inclui:


* explicação sobre o pano em si – textura e cores, tecelagem,
* como surgiu,
* os benefícios do seu uso,
* falar na minha própria experiência (tenho um filho com 8 meses),
* distribuição de fotocópias
* Demonstração dos vários nós
* Se concordarem, tirar foto de grupo das mães presentes
* Conversa com Sofia Valente, que conviveu de perto com os benefícios do uso do pano em Moçambique



Custo 10€ por bebé


Inscrições prévias Zélia 918253141 ou Sofia 917308718



Certos de que os panos fazem bebés felizes,



Clube do Pano
Foto tirada em: Missão de Voluntariado em Lichinga - Moçambique, Agosto de 2005 - Sofia Valente

Clube do Pano - Fundadores



E aqui está a Mamã e o Papá Canguru Zelia e César... e o Rafa, verdadeiro causador do movimento "Clube do Pano"!!!

Fotos de Pais Canguru



Pai: Francisco
Mãe: Catarina
Filha: Ana Rita (2,5 meses)


"fotos gentilmente cedidas por Francisco Sancho"

terça-feira, outubro 25, 2005

De pequenina...


"Tinha cerca de cinco anos quando esta foto foi tirada. Passava as
tardes a
pedir à minha Avó Teresa para me colocar o pano para eu dar colinho ao
meu
"filhote" e ter as mãos livres para continuar a fazer travessuras.
A minha Avó era originária de Taiwan e foi neste mesmo lenço que
carregou, um a um, os seus sete filhos. Os últimos cinco filhos já
nasceram em Portugal e o facto de os carregar no pano foi
uma autêntica revolução para a época (décadas de 40/50).

Sou Mãe do Vasco, com dois anos e em breve o serei também do André. Se
com o
Vasco aprendi, por instinto, a importância do colo e do contacto
físico,
pele com pele, com o André vou concerteza enriquecer esta experiência
com todos
os benefícios de o embalar no pano."

Bárbara Yu, 30 anos, Matosinhos.

quarta-feira, outubro 19, 2005

2ª Reunião NINO


Querida Mamã Canguru…


Vai realizar-se a segunda reunião NINO, desta feita no café Populus, sito no Parque das Caldas da Rainha, dia 1 de Novembro pelas 11 horas.

Estas reuniões, para quem não conhece, são reuniões da Organização Nine In Nine Out (Nove dentro, Nove fora), que se dedica a dar apoio voluntário a mães que aderiram ao uso deste tipo de colinho especial. Não é uma aula, é só um pequeno convívio, onde se poderão trocar experiências, conversar, esclarecer dúvidas…

Quem quiser levar uma amiga interessada, poderá fazê-lo, e desta vez, por ser no parque, toca a levar os maridos ou companheiros!

Se puderem confirmar para o 918253141, ou para o clubedopano@yhoo.com seria bom, apesar de ser uma reunião informal, só para ter ideia de quem vai aparecer!

segunda-feira, outubro 17, 2005

O modo de vida Rebozo - por Barbara Wishingrad

O modo de vida REBOZO
por Barbara Wishingrad


Em 1983, vendi quase todos os meus bens e entrei no autocarro a caminho do México e de uma nova vida – sentei-me ao lado dum velho amigo e novo amor, o homem que eu escolhi para ser pai dos meus filhos, e carregámos connosco os sonhos de esperança e determinação de fazer o bem, que leva muitos de nós a ser pais - verdadeiro acto de fé no futuro da humanidade.
A noção vaga de que queríamos poupar-nos e ás nossas crianças das neuroses da civilização e um desejo de observar e participar numa cultura onde os braços da mãe são o lugar certo para uma criança eram razões suficientes para fazermos esta mudança.
Quando o meu primeiro filho, Van, nasceu, em Maio de 1985, já tinha praticado com uma série de rebozos tradicionais (Xailes mexicanos usados por mães e meninas de todas as idades, para aquecimento ou protecção do sol forte, durante cerimonias ou para carregar qualquer coisa que seja necessário, mercadorias, bebés pequenos ou crianças), e depressa encontrei uma maneira de segurar o meu filho perto de mim enquanto tinha as mãos livres… Sendo ricos em espírito, parcos em bens materiais, e ciganos por escolha e negócio (comprando e vendendo pedras e têxteis, e a nossa própria joalharia), entramos em contacto diário com os indígenas do México. Assim, descobrimos em primeira mão as suas crenças e práticas sobre bebés e vida familiar.
Fiquei deliciada por descobrir que valorizavam os tradicionais “quarenta dias” de repouso pós parto como o tempo para as mães e bebés ficarem em casa, muitas vezes na cama, com muito tempo para “se apaixonarem” para se conhecerem, as necessidades e os ritmos, e para recuperar do esforço físico de dar à luz. Quando levei o Van para se registar, dezasseis dias após o seu nascimento, os vizinhos avisaram-nos para não deixar terceiros olharem para o seu rosto, para que não fosse afectado pelo olhar do mal.
Enquanto ele crescia, e quando viajávamos em camionetas através do país, fui atingida pelo amor e pela aceitação que tem por bebés. Em cada lugar mulheres, raparigas e até homens pediam para pegar e brincar com o bebé, e cumprimentavam-no directamente (e a mim) quando nos cruzávamos. O bebé não era um aborrecimento ou uma peste cujo lugar era num quarto silencioso, longe da sociedade. De facto, crianças de todas as idades acompanham os pais nos seus negócios, recados e no seu trabalho, por vezes – pela necessidade, talvez, mas também por amor. A aceitação é genuína e inocente, assim evitando o receio dos estranhos e dos raptos tão focados nos Estados Unidos, e permitindo a norma, por exemplo, de crianças de todas as idades esperando em filas com os pais, onde são distraídos por adultos caso mostrem sinais de impaciência ao invés de serem olhados fixamente e assim incitados a ser ainda mais inquietos.
O material de bebé, basicamente considerado necessidade no nosso vizinho do norte, é somente usado pelos que anseiam ser americanizados. Tradicionalmente, os bebés dormem na mesma cama que a mãe (ou ambos os pais, podem dormir numa rede que o meus pequenos adoram) e são segurados nos braços da mãe ou rebozo, ou por outro familiar querido, e não distanciados num assento de plástico, balouço ou deixados deitados num berço.
Os assentos para automóvel não são necessários, e os bebés podem ser levados nos braços dos pais, mesmo em carros privados. Quando em longas viagens com o meu segundo filho, Gaby, por vezes levava-o ao colo, amamentando “a pedido”, o que considero uma opção segura e amorosa. Os mais pequenos podem também dormir deitados no fundo do carro, num lugar seguro, sem estarem empoleirados ou caírem das suas faixas. Desta forma, estão protegidos na sua posição horizontal e no seu estado de relaxamento e bem-estar físico.
Apesar de no geral, haver menos carros, especialmente no meio da população indígena. Caminhar é o meio mais comum de transporte, e as pessoas não tem receio de carregar fardos pesados, tendo passado a vida toda a levantar coisas e a fazer trabalho físico pesado, no povo comum do México não se assume que se vão magoar por estar constantemente a carregar algo e até ficam mais fortes por isso. Também, a necessidade de carregar fardos pesados, para além das carregadas em burros e outros animais de carga, facilitam uma espécie de cooperação especial, especialmente entre membros duma mesma família. Uma coisa comum aqui perto dos mercados abertos é ver um par de adultos ou adolescentes, de ambos os sexos, cada um segurando com uma mão um saco de plástico entre os dois, carregadíssimo, andando lado a lado em perfeita harmonia, para qualquer lado que chamem casa.
Outra visão que ainda consegue maravilhar-me é ver rapazes adolescentes a andar de braço dado com as suas avós pela rua afora. Embora apreciem a companhia dos seus amigos, não se envergonham das suas relações familiares nesta idade, e as crianças normalmente vivem com os pais até estarem casados, e muitas vezes a seguir também. Afecto físico entre os membros duma família e amigos é normal, para qualquer idade ou sexo, e dois rapazes, ou uma rapariga adolescente com a sua mãe podem caminhar de mãos dadas como nós só fazemos com namorados ou crianças pequenas na nossa cultura. Raparigas em idade escolar e até homens feitos caminham abraçando-se mutuamente. Sou feliz por ver os meus filhos, agora sete e nove, poderem espontaneamente mostrar as suas emoções aqueles de quem gostam, mesmo se do mesmo sexo.
Nesta sociedade, cumprimentos apropriados e cortesia são muito importantes, e as crianças são ensinadas desde cedo a tomarem conhecimento de cada pessoa que contactam, não tendo em conta a idade. Desta forma, aprendem como são valiosos membros contributivos da sociedade, e não apêndices dos pais, ou invisíveis, como parece que são em muitos contextos sociais nos E.U. Quando um mexicano chega ao consultório de um médico, na sala de espera, advogado ou qualquer outra profissão, dá um cumprimento geral a todos os que estão já presentes antes de encontrar um lugar para se sentar. Quando são feitas apresentações, crianças e bebés são incluídos e as mãos são apertadas.
Acredito que é a importância que tem a família e a parte espiritual das vidas dos Mexicanos que faz do México um lugar seguro para se viver e criar crianças. Os meus filhos saltam para cima das suas bicicletas e atravessam a cidade, brincam sem vigilância nos parques, correm à loja da esquina mesmo meia hora depois de ter escurecido. É um alívio, e tão menos complicado e restritivo, saber que eles estarão seguros para explorar e gozar as suas perseguições de criança numa comunidade e nação onde são queridos e protegidos.
Para mim é importante saber que posso honrar e aprender com a cultura antigas, e continuar a honrar a minha pessoa e as minhas raízes. Isto significa em parte não romantizar os indígenas – todas as imagens que tenho partilhado são de facto preciosas e inspiradoras para mim. Tenho escolhido não enfatizar a falta de saneamento, a ignorância, pobreza e fome que são muitas vezes parte do cenário de grupos indígenas que ainda lutam para assimilar atitudes e materiais do séc. XX (plásticos, refrigerantes, etc). Não que não veja estas coisas, mas não são estas coisas que recebo como presentes destas pessoas.
Nota do Editor: Barbara Wishingrad, continua a viver e a criar os seus filhos no México após 12 anos. O Xaile tradicionalmente tecido (rebozo) e as várias maneiras de ser usado para carregar um bebé fascinaram e fizeram-na usar os seus próprios filhos assim e desenvolver o Projecto Educacional e Cultural o modo Rebozo, uma organização internacional dedicada a promover a Educação “em Braços”. Através de uma exposição fotográfica, um vídeo disponível em inglês e espanhol, brochuras sobre Rebozo como usar, historia, e assuntos relacionados, o modo Rebozo tenciona educar e informar os de culturas modernas que estão abertos a receber directrizes das culturas mais antigas, e usá-las no contexto da vida modernizada.

Tradução autorizada pela autora.
Zélia Évora – www.clubedopano.org

Foto da Mamã Canguru Silvia e bebé Canguru Carolina